terça-feira, 22 de novembro de 2016

Insónia (Des)Amorosa

O fogo do coração, o ardor da alma, a falta de algo e o ser queimado. Nem minhas lágrimas me refrescam. 

Sou um corpo inflamável que vagueia de isqueiro na mão.
Sou uma bomba relógio à beira de uma explosão de sentimento.
Sou-me um inferno que vive, e anda, e corre, e sente.
Mas, de tanto sentir, já nem sinto. 

Meu deus!, que no meio da confusão, do fogo, da cinza, do choro, a única essência que se diferencia é a tua. Que no meio do fumo cegante e sufocante, vejo-te e sinto teu perfume. Ah, no meio de meu inferno quente, vermelho, encontro o azul refrescante de tua alma.

Desejei perder-me, mas preciso de me encontrar.

Sonho infinitamente e temo não acordar a tempo. Oh, que se não acordar, ficarei, para sempre, presa em sentimentos não correspondidos, memórias sós e dores vãs. Oh, que se não acordar, só me restarão as lembranças do que um dia fui e ambicionei ser.
Mas, meu Amor, quão maravilhoso sonho és! E, se não te puder ter acordada, então prefiro ficar presa em realidades de meu subconsciente, em realidades não existentes.
Sim, prefiro ter teu toque em sonho, sem o sentir, que lidar com a distância de almas que nos separa.

Ah! E prefiro arder em minha desgraça, que procurar salvação em outrem.

Meu Amor, se não fores tu meu destinado salvador, então não quero ser salva.
Meu Amor, se não for tua, de mais ninguém serei.

Ah! E se não me amares, então, permanecerei rodeada de prazeres, desamada, sempre. Pois, por mais prazeres que tenha, só o teu me dá amor.

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