quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Cambiare

Talvez um dia busque a mudança. Hoje, apenas me busco a mim.
Não sei bem onde estou, mas com certeza estou feliz.
Num café quente numa tarde de outono, num momento breve sem significado ou numa foto que não traz qualquer recordação. É nesses lapsos de tempo inexistentes que (me) sou livre.
Nada nesta vida apressada me dá pressa ou ânsias. 
Já ansiei ser! E correr, amar profundamente, chorar como se não houvesse amanhã e sorrir como que nunca mais o fosse fazer. Mas ser (e viver) intensamente não me satisfaz.
Prefiro a calmitude do pôr do sol, o som sujo de um vinil limpo, uma folha velha por escrever.
Haverá algo mais belo?
Desejo, só, poder sonhar e desejar. Deixar-me ir com o vento e ser feliz com o destino me reservado.
Nada há em mim a não ser minha vontade louca de continuar a ter este nada em mim.
Ah!, que prazeroso é este divagar sem obrigações.
Vivo, pausadamente, satisfeita com o que rodeia.
Uma música, uma cerveja gelada, um pequeno pecado e nenhuma expectativa ou pensamento futuro.
Ah!, que felicidade. Que desejo não a perder!
Perdê-la seria perder-me (novamente).
Por isso vivo, vivo sempre, livre, de corpo e alma. E vagueio!, pelo belo desconhecido das ruas, das almas, dos corpos, da música.
Vagueio pelo belo desconhecido que a vida é!
Sempre.

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