quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Ânsia

Anseio-te. Receio-te.
Anseio o dia de tua chegada, mesmo sabendo que nunca chegarás. Receio a tua partida, mesmo sabendo que não me chegarás.
Oh, e anseio olhar-te nos olhos, contemplar tua alma, conhecer teu perfume.
Mas receio - receio amar-te mais do que o devido, amar-te à distância, conhecer teu perfume.
Que ridícula pareço! Não te sou, não me sabes e, ainda assim, meu coração aperta, meu olhar brilha, quando ouço tua voz, quando leio teu nome, quando te (re)penso.
Magoa-me a alma a impossibilidade que és, que somos. 
Magoa-me o ser o pensamento de te não ter. Porque, meu Amor, mesmo que nunca vejas meus olhos, não conheças meu nome, serei tua. E serei tua como nunca fui de ninguém!, serei tua como a Lua é do Sol, ou o céu é das Estrelas.
Talvez um dia nossos corpos se cruzem num quotidiano imprevisível. Talvez um dia até te esboce um sorriso em jeito (des)amoroso.
Oh, que meu coração acelera com tal possibilidade tão ínfima, improvável.
Ah... que te quero! Quero que me queiras, que me saibas, que me tenhas. No entanto, espero que me não leias que, se leres, parecerei doida varrida em ti.
Faltam as palavras na ânsia de ti, de mim, de nós.
Minha vida continuará, monótona, parada, num aperto, numa ânsia, até numa correria, até te ter.
E, se nunca te tiver, assim morrerei - monótona, parada, num aperto, numa ânsia, numa correria.
Sempre receosa.

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