segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Breve nota acerca dos versos que te não fiz



«Rasga esses versos que eu te fiz, Amor!
Deita-os ao nada, ao pó, ao esquecimento
(...)
Rasga-os da mente, se os souberes de cor,
Que volte ao nada o nada de um momento!»
                                                                                                          Florbela Espanca


Sim, meu Amor, rasga todas as palavras, todos os momentos, todo o sentimento. Rasga-me de ti!
Pudera eu um dia ser feliz em teus braços. Tanto pudera que fui e tanto fui, que pudera!
É nestes momentos de leitura extensa e voluntária, que te encontro nas entrelinhas de toda a poesia, toda a prosa, de toda a gente para ninguém. Em cada livro te vejo. Em cada oração te revejo e, a todo o momento, te estranho. A saudade, a saudade... tão em vão! A saudade, oh, a saudade... dolorosamente, sentida em vão.
Como tu, também eu me vejo, me revejo, me estranho. Ah, também de mim tenho saudade. Saudade daquela que bonitos amores escrevia, tão feliz se sentia e tão segura era em braços teus.
Saudades de tudo, mas de quê?
Felicidade de ti, mas de quem?
E amor, amor ao mundo e a ninguém!

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