Sonhei-te. E quão bom sonho foi! Não o recordo detalhadamente, mas reconforta-me a ideia de te ter tido do meu lado ainda que por breves instantes inconscientes.
Que saudades tinha de teus braços! Agora vejo, depois de tanto o negar.
Poderia sonhar-te eternamente. Quão feliz seria por esses sonhos... Irrealidades baseadas nas memórias do quase amor que partilhámos.
Desejo, loucamente, amar-te de novo; sentir-me amada, ainda que não me ames, em teus braços.
Bela ilusão foi nosso amor. Maravilhoso foi o (não-)sentimento que sentimos. E que mentira!, que mentira foi o que não tivemos. Pois embora o mundo nunca nosso tenha sido, o éramos e o moldávamos à nossa imagem.
Oh, se pudesse voltar a viver nossas inverdades!, quão reais as tornaria... Mas não o posso fazer. O tempo passou, tu não estás e só me resta escrever.
Então, escrevo-te o que senti e nunca disse; o que quis e nunca pedi; o que amei e nunca tive.
Meu bem, agora te digo: quanto amor te sinto! Este amor, só meu, para sempre meu, nunca o poderei mostrar.
Todas as oportunidades de te ter, larguei. E todas as vezes que o silêncio deu permissão a meu coração, ele calou-se, contemplando-te com admiração, apaixonando-se mais um pouco, por teus olhos. E quando julguei não mais te poder amar, eu amei. E cada vez que te amava, apaixonava-me!, e cada vez que me apaixonava perdia-me em ti. Perdia-me perdendo-te e perdia-te no sentimento.
Tudo o que me resta são as memórias do que ficou por dizer e dos beijos que calaram as palavras que deveriam ter sido ditas.
O silêncio levou-te e o sentimento consumiu-me.
Oh, se eu o soubesse, quando te tinha dito e tão pouco tinha sentido!
Oh, se eu o soubesse, quantas vezes teria dito que te amava sem nunca, verdadeiramente, amar.
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