quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Fuoco

Nunca na vida houve tamanha paixão. Jamais viu o mundo tamanho peito ardente e ferido.
As despaixões, os desamores, as chamas que os alimentam.
Vivo um amor magnificamente imperfeito ao som do mais melódico vinil que acusa as marcas do tempo. Também minha alma as acusa; soluços de emoção, intervalos de sentimento e uma brisa fria que aquece o corpo.
Nada pode descrever a sensação, o batimento, a luz. Ninguém pode descrever a falta de sentimento, a alma e a sua desluz
Sou-me nos breves instantes perfeitos e sou-te em toda a imperfeição que és.
Temo a tua partida, embora ainda não tenhas chegado e o medo que largues minha mão, ainda que nunca a tenhas agarrado, consome-me.
Todo meu ser teme teu abandono e meu peito aperta na ânsia de te ter. Oh quero-te... Se te quero...! Só meu e das estrelas que nos iluminam o amor.
Mas quem és tu? Nada mais que um sonho distante, uma realidade paralela, uma impossibilidade da existência. És o imutável, intocável, tão desejável e amável. Que perfeição imperfeita és. E que imperfeição tão perfeita serias em mim.
Poderia pedir uma parte de sol para iluminar uma lua, uma estrela brilhante para oferecer a teu sorriso, uma brisa forte que espalhasse o teu perfume ou até uma onda perfeita que levasse o fogo de meu coração. Tudo isso e muito mais poderia pedir e perfeita seria em mim, para mim. Mas de que me serve ser o mundo, se o mundo não o és? Prefiro estar só, vazia, sem nada belo ou desejável, para me gabar. Gostaria, sim, gabar-me de ti, de te ter, mesmo que não te tenha. Porque tu és vida, mas não vives; e és sonho, mas não sonhas; és a minha realidade, mas não és sequer real (em mim). Oh, e que desgraça é(s)!
És-me desconcerto, desastre, chamas e cinza. És toda a maravilhosa destruição de meu ser. 
És-me tudo e nem sequer te és.

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