O sol não brilha, a chuva cai, o vento sopra.
Caminho, só, nas ruas frias do desconhecido em busca de um destino inalcançável. Penso em tudo o que deixei para trás, por fazer e dizer. Penso em ti e no que atravessará a tua mente agora que te abandonei.
O que é feito de ti?
Abdiquei de um presente tão sem significado por um futuro incerto e cheio de emoção - ou pelo menos assim achei. Talvez as minhas ideias estivessem trocadas. Ou talvez não tenha crido no meu coração.
O futuro que tanto prometia desapareceu e, no seu lugar, ficaram as memórias e saudades desse presente, agora passado, tão insignificante.
Dói o coração, a alma e, por vezes, até a razão. Quis o novo e desconhecido mundo e não pensei na falta que a minha verdadeira casa faria.
Sinto falta do sol, do calor que tanto me chateava, da serra, do rio tão azul e da quietude dos nossos lugar prediletos. Sinto, por vezes, a tua falta. Mas não me pertences, nunca pertenceste e vejo agora, com clareza, o quanto falhei - não (só) contigo, mas comigo.
Não há volta a dar.
O telefone deixou de tocar, o teu nome desapareceu da minha rotina. Só me resta a memória do brilho do último sorriso que me entregaste, do som da última palavra que me sussurraste.
Será que ainda te lembras? Pergunto-me se ainda serei o teu primeiro pensamento pela manhã ou até a tua melhor recordação. Pergunto-me, com pesar, se serei eu quem atravessa a tua mente nas aborrecidas insónias da longa madrugada.
Oh, quanto o desejo!
Só queria que nunca me esquecesses - o meu toque, o meu beijo, a minha voz -, mas não ouso pedir tal coisa. Afinal, fui eu tem te deixou, só, naquele quente e solarengo dia de verão, tão frio, chuvoso e repleto de mágoa.
Perdoa-me - não hoje, não amanhã, um dia.
Não te esqueças de me esquecer, ou lembrar, não importa.
Apenas não te esqueças: sê, sempre, feliz.
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