terça-feira, 2 de junho de 2015

Saudade

São as saudades daquilo que nunca existiu que corroem a alma. São as recordações do que poderia ter sido, acontecido, sentido. É tudo o que nunca foi, mas poderia ter sido.
Demasiadas vírgulas, demasiadas reticências, demasiados "mas" que nos fazem de duvidar de tudo o que é, foi e será.
Lembro-me do passado como se ele fosse um futuro e vejo no futuro um regresso ao passado.
Não há nada de novo aqui. Todos os passados voltam, prometendo um dia ser o presente. Mas estou tão cansada do passado! Já não o posso ver, rever, sentir, recordar!
O sol vai alto e o calor aperta. Lembro-me daqueles dias quentes de Agosto passados com calma e felicidade.
Sinto o sol quente na minha pele e só consigo recordar aquela pequena praia, limpa, calma, serena. Que saudades! Essa praia não existe mais e eu também não. Já não sou pequena, calma e serena, a minha alma deixou de ser limpa. Sou agora revolta, fúria - grande! Sou como a praia que hoje me acolhe: pequena mas grande, de mar revolto, com gigantes ondas furiosas com a sujidade no areal.
Tudo me transporta ao passado e tudo me leva a crer que este um dia voltará.
Tenho saudades da inocência que nunca tive, do amor que nunca senti, das caminhadas que nunca fiz. Tenho saudades de tudo o que um dia atravessou o meu pensamento sem autorização.
Talvez até de ti tenha saudades - talvez.

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