sexta-feira, 8 de maio de 2015

XII

Não és o "para sempre", nunca foste. Não quero que o sejas, nunca quis. Para sempre é muito tempo e eu não o tenho, porque o tempo não me existe.
És o hoje, és o agora. És um instante - este instante - e é apenas tudo isso que eu quero. Não quero o antes nem o depois. O antes não volta e nada me garante que o depois chegue.
Não és o "amor da minha vida", nunca foste. Há muito que deixei de ler contos de fadas, de princesas e amores eternos. Isso do "amor da minha vida" não existe, porque o amor, tal como a vida, não existe -  não fisicamente. E se o físico um dia desaparece sem deixar rasto, o intocável também.
És o amor do hoje, do agora. És o amor presente, porque o ontem já passou e o amanhã é incerto.
Não tens o meu coração, nunca tiveste, porque ele não é um objeto, não pode ser possuído nem andar de mão em mão. E para que é que alguém o iria querer. É apenas um coração. Se quiseres trocamos de fígado ou pulmões, que te parece?
Deixemo-nos de frases feitas, amores eternos, corações entregues.
Vivamos o hoje, o agora. Vivamos juntos o momento cheio de partilhas egoístas em que cada um é dono de si mesmo.
Guarda o coração, o para sempre, o amor. Guarda tudo, só não guardes a alma - a (im)perfeita alma.

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