terça-feira, 7 de abril de 2015

XI

Não sei distinguir o bom do mau, o certo do errado. Já não sei sequer distinguir-me de ti.


Entreguei-me a ti. Atirei-me de costas na esperança que me agarrasses. Estiquei a mão na esperança que a agarrasses. Fiz de mim um nada repleto de tudo e entreguei-to. Fiz de ti, toda a parte de mim.

Ou talvez tu te tenhas atirado, agarrado. Talvez me tenhas dado essa grande parte de ti. Sinto-te aqui, tão presente, mesmo a infinitos quilómetros, palavras, horas e sentimentos de distância. Preencheste a minha alma com o que lhe faltava. Fizeste de mim, tudo o que havia em ti.
Talvez, não sei, já não sei, nunca soube. 
És o melhor de mim - ou eras. Quis fazer de ti o melhor de mim. Mas eu já nem sei o que é melhor. Agora, sem ti, continuo a sentir-te presente - talvez demasiado - e começo a duvidar de mim, das minhas escolhas e ideias. Será que és o melhor? Sem dúvida que foste, pelo menos enquanto estiveste. Agora? O vazio cresce de dia para dia e como pode este vazio ser o melhor de mim? Será que és o pior? Nunca foste, nem te consigo imaginar a ser. O vazio cresce, mas há tanta coisa pior que ele.
Não sei distinguir-me de ti, nem quero. Não quero distinguir-me de ti, porque não quero perder nada do que me deixaste. Quero guardar para sempre as pequenas memórias, os pequenos momentos, as pequenas palavras. Quero guardar para sempre o som, o cheiro, o sabor. Quero-te guardar em mim e não te deixar ir, nem mesmo quando fores.
Afastei-te sem querer, amei-te sem saber. Empurrei-te intencionalmente, perdi-te sem intenção. Fiz por esquecer e acabei a lembrar.
Agora sobram saudades, sentimentos confusos e uma eterna dúvida: serás tu ou serei eu?, seremos apenas um ou...? Não sei, nada sei. 


Já não sei sequer distinguir-me de ti.

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