domingo, 8 de junho de 2014

V

Não consigo escrever. Pego na caneta e na folha e espero que as palavras apareçam como por magia. Escrevo e apago. Apago e escrevo e as palavras não fluem - cada ponto, cada vírgula, cada acento e cada cedilha são desenhados com a maior das dificuldades.
Preciso de escrever, não posso parar, não agora. Parar é desistir, parar é perder. 
O mundo está muito parado, está demasiado calmo. O tempo custa a passar e eu não sei mais o que fazer.
Passo as horas a encarar o papel. Olho-o nos olhos e tento ler o que tenho que escrever, mas o papel está vazio tal como a caneta. Ou talvez seja eu, talvez eu seja a úncia nesta sala que se sente, está, vazia.
Um olhar repleto de nada , uma folha em branco, uma caneta pousada.
Não há  palavras, não há sentimento, não há inspiração - há o nada.
Há o nada que respiro, o nada que tenho na minha mente. As palavras fugiram de mim, fugiram todos de mim. 
Sobram lágrimas que são derramadas sem razão. Lágrimas que molham a face pálida, a folha branca.
Aqui ficarei, à espera que as palavras voltem, à espera que o sol brilhe, à espera que as lágrimas sequem. Aqui ficarei à espera da inspiração.

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