sábado, 14 de setembro de 2013

Rasto de Sangue - capitulo 18

- Nós... nós somos irmãos?
- Não, de maneira alguma!.
- Ela matou os meus pais... Porquê? Desde que me lembrei que me interrogo o porquê de a minha irmã ter morto os meus pais e agora descubro que ela não é minha irmã...
- Senta-te, eu vou-te explicar tudo. Foi à muitos anos Melody. Lembras-te de quando a tua mãe estava grávida?
- Claro, como me poderia esquecer?
- Bem, ela e a minha mãe estiveram grávidas mais ou menos ao mesmo tempo e ambas de meninas. Quando ainda era bem pequena a tua verdadeira irmã foi atropelada acidentalmente pelo meu pai e morreu.
"Não! Ruby, meu amor, olha para a mãe, fala comigo, vai ficar tudo bem. Ruby? Ruby?! Ruby não... Isto não fica assim, eu juro!"
- Não! A Ruby foi para o hospital e ficou bem! - ripostei.
- Não Mel, ela morreu. A tua mãe nunca perdoou o meu pai e jurou vingança. Uma vez que a minha mãe se encontrava às portas da morte e o meu pai era, digamos, um pai ausente, ela levou a minha irmã, a pequena Elizabeth.
"Olá pequena... Pequena Ruby"
 - A Anne tratou-a como se fosse mesmo filha dela, como se fosse mesmo a Ruby e deu-lhe todo o amor que podia dar.
- Mas nós sempre fomos amigos, o teu pai nunca soube? Porque é que nunca fez nada?
- Sei que o meu pai não é a melhor pessoa do mundo, mas ele nunca se perdoou pela morte da menina. Ele encarou a perda de Elizabeth como um castigo do Destino. Ele viu-a crescer, via-a sempre que me levava a tua casa. Claro que a tua mãe não premitia que ele se aproximasse muito, nem ele queria. Ele sabia que com os teus pais ela receberia muito mais amor, afecto, pois apesar dos seus esforços para com a familia, o meu pai não parava em casa.
- E como é que a Ruby, ou Elizabeth, descobriu?
- O meu pai encontrou-a numa das viagens de negócios - a ela e ao namorado. Após tantos anos tinha uma oportunidade de estar com ela. 
"Parece tanto a Mary ( mãe ) ... minha filha, como estás linda"
" Esta era a tua mãe Elizabeth, a tua verdadeira mãe. Era linda não era?"
- Ela sentiu raiva, injustiça.Queria ter tido a oportunidade de estar com a minha mãe, disse que talvez ainda estivesse viva se não a tivesse perdido. Queria ter tido oportunidades na vida, ter tido luxo, conforto - devo dizer que o materialismo dela não me agrada. Ela tem definitivamente o feitio do meu pai.
- E que feitio... mas os meu pais não mereciam. Eles...
- Mel, eu não a defendo. - interrompeu - Os teus pais erraram, tal como o meu. Mas como estava a dizer... ela sentiu raiva. Foi até casa dos teus pais com uma arma..
"Ruby, o que estás a fazer? Larga isso filha."
"Não sou tua filha! Não vos sou nada!"
- ... Ela disparou acertando na tua mãe, acidentalmente presumo.
Lágrimas escorriam-me pelo rosto enquanto ele me contava toda a verdade.
- O teu pai deve ter sentido uma enorme tristeza, medo, angustia...
"Eu sabia que eras um erro! A Anne nunca te devia ter trazido para casa. Demos-te tudo e tu nunca nos deste valor! És uma merda de pessoa como o teu pai sempre foi"
- ... Ruby acabou por disparar contra ele, matando-o de imediato. A tua mãe ligou-te já fraca e sem te chegar a dizer nada partiu. A Ruby telefonou ao meu pai, pediu ajuda. Uma vez que não haviam testemunhas ela saiu o mais depressa que pode mas
- Mas encontrou-me a chegar - disse eu terminando a frase de Jensen.
- A Ruby largou a arma. Tu correste, pegaste nela e correste para dentro.
"Mãe, pai!"
- Quando lá cheguei eles já estavam ambos mortos. - disse -Agarrei-me a eles a chorar e acabei por ficar suja de sangue. Uma vez que peguei na arma ela ficou também com as minhas impressões digitais. Só não percebo porque é que me esqueci de tudo.
- Foi uma forma do teu cérebro te proteger do choque.
- Jensen, ela tem de pagar pelo que fez!
- Eu sei amor e vai. Mas por agora temos de nos assegurar que o meu pai não nos encontra. Agora anda, vamos deitar-nos, é tarde e tu precisas de descansar.

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