domingo, 11 de agosto de 2013

A Praia

Jane sempre adorou passear na praia. Inverno ou Verão, frio ou calor - nada disso importava. Todos os dias ela percorria quilómetros ao longo da areia molhada. Sentava-se e olhava para o mar, para as ondas, durante horas e horas. Deixava o vento gelar-lhe a cara enquanto fazia o seu longo cabelo esvoaçar. Respirava fundo. Jane adorava o cheiro do mar, do vento. Jane adorava o som das ondas, das gaivotas. Jane adorava sentir a areia fria nos pés. Por vezes, enquanto caminhava apanhava penas, que, mais tarde, largava ao vento. Gostava também de apanhar pequenas conchas e seixos, e também esses eram, mais tarde, largados - ela atirava-os ao mar num gesto delicado. 
No entanto, para ela, o ponto alto do passeio era ver o pôr-do-sol. Nunca se ia embora antes do sol desaparecer por completo. Via o sol baixar, via os raios ficarem mais fracos, via as primeiras estrelas aparecer.
Jane era uma rapariga que tinha uma vida algo complicada e a praia era o seu refugio. Toda aquela paisagem acalmava-a, distraía-a, fazia-a feliz. Ela só desejava puder desaparecer. Queria arranjar um pequeno barco e partir. Não se importava de se perder, só queria ir. Mas claro que tudo isto eram sonhos - sonhos que ela nunca pensou em concretizar.
Quando chegava a hora de ir para casa, sentia um aperto no peito, um nó na garganta, os olhos cheios de lágrimas. Todos os dias ela voltava para casa desejosa pela tarde seguinte, quando voltaria ao seu refúgio.
Certo dia Jane saiu e não voltou a aparecer. Há quem diga que a levaram. Há quem diga que partiu como sempre quis. Eu digo que ela está finalmente em paz.

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