segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

X

Talvez seja a insanidade da substância do ser. Uma visão distorcida do mundo agora tão imperfeito. É a loucura da mente e da alma dos corpos que vagueiam pela avenida principal.
As buzinas impacientes, as luzes ofuscantes, os gritos dos motores. Passam os automóveis com ânsias de chegar ao seu destino. Passam os receptáculos numa correria infernal como se fugissem do chão que colapsa à sua volta.
Vejo esta loucura, esta insanidade apressada da minha janela. Que mundo tão infernal!, que corre sem aproveitar o momento da partida ou o momento da chegada. Mas isso não é o que mais me incomoda a alma - o que realmente incomoda é a passividade com que todos observam a agitação, a tolerância para com o barulho ensurdecedor. Toda a confusão é normal, é rotina para todos, menos para mim.
Concluo assim que não foi o mundo que enlouqueceu - fui eu. Foram os meus sentidos que perderam a noção do mundo, foi a minha mente insana que esqueceu a normalidade anormal do mundo, foi a minha alma que viajou até à perfeição, à utopia e se recusou a aceitar o mundo onde o corpo habita.

Sem comentários:

Enviar um comentário