quinta-feira, 16 de outubro de 2014

VIII

Sempre segui o pequeno feixe de luz que penetrava a escuridão. Sempre procurei a parte mais positiva do negativismo. Sempre vi esperança onde mais ninguém via.
Carreguei comigo desde cedo uma luz que ofuscava qualquer problema ou dificuldade. Lutei pelo que quis e nunca soube o sabor do arrependimento.
Julguei ter aproveitado todos os momentos que vivi como se fossem os últimos - enganei-me.
A luz que há muito tem vindo a desvanecer, desapareceu. Qualquer bem que ainda pudesse residir em mim, desapareceu. Mas a esperança, essa que dá força a qualquer um, não desapareceu.
Vivo na ilusão, na crença do impossível. Eu sei, não devia, mas são estas pequenas mentiras que vivo e conto a mim mesma que me fazem continuar. Como é suposto ter ânimo para viver se não acreditar no bem, na felicidade?
Tento, mas não encontro o bem deste momento ou a pequena lição que ele me poderá dar. 
Lágrimas, falta de ar.
Não há luz, não há ar, não há nada. Nada excepto as faltas esperanças, as pequenas mentiras e a pouca crença.
Sobre-me a maior mentira - a vida.

Sem comentários:

Enviar um comentário