segunda-feira, 7 de julho de 2014

Estrelas

Costumávamos passar horas deitados no jardim a contemplar as estrelas. Procurávamos constelações, imaginávamos o que haveria além do infinito céu estrelado. Conversavamos durante horas, ríamos, chorávamos, ou, muitas vezes, contemplavamos o silêncio da noite.
Confiança - era nisso que tudo se baseava. Amor - era tudo o que existia.
Sonhávamos com o futuro incerto que sempre julgámos estar nas nossas mãos, futuro esse que construiríamos com base na nossa felicidade e bem-estar.
Mãos - perdi a conta das vezes que demos as mãos, como um gesto de proteção, segurança, confiança, amizade.
As estrelas brilhavam, todas as noites, só para nós. As estrelas sorriam, todas as noites, só para nós.

Lembras-te? Lembras-te de te deitares ao meu lado e olhar para o céu? Lembras-te de quão pequenos nos sentíamos perante tanto brilho?

Hoje, passo horas no jardim a contemplar as estrelas, mas tu já não estás presente. Deixei de procurar constelações e passei a procurar-te. Diz-me tu, agora, o que há aí, além desse infinito céu estrelado.
Solidão - é tudo o que resta. Tristeza, vazio, foi o que deixaste. 
Deixei de sonhar com o futuro. Quão ingénuos fomos ao pensar que o poderíamos controlar.
Achámos que éramos eternos, planeámos o futuro, um futuro feliz e colorido. Mas o destino, esse tal no qual nunca cremos, tinha outros planos - para nós, para mim, mas especialmente para ti. O destino levou-te para demasiado longe, demasiado cedo.
Tenho medo - medo do silêncio que costumávamos contemplar. Procuro a tua mão na noite iluminada pelas estrelas, mas não a encontro.
As estrelas brilhavam, todas elas, de igual forma. Hoje, és tu quem mais brilha. As estrelas sorriam, todas elas, de igual forma. Hoje, és tu quem tem o maior sorriso.
Passo noites, não a procurar constelações, nem mesmo a contemplar o pequeno brilho de cada estrela, mas sim a procurar a que mais brilha, a procurar-te, a ti e só a ti.





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