sexta-feira, 28 de março de 2014

III

Vê os navios partir. Vê as esposas chorosas a abanar o lenço no ar em jeito de despedida. Vê.
Encostada a um canto, passando despercebida, sem ninguém por quem chorar, observa o movimento.
O barco já vai longe e as pessoas começam a dispersar. A tristeza desvanece e cada um segue o seu caminho. Ninguém parece confiante do regresso dos marinheiros, mas também ninguém parece preocupar-se com isso.
Assim é a vida, ou a morte, não sei bem.

Choram pela tua partida, mas rapidamente se esquecem de ti.
Choram a tua ausência, mas são poucos aqueles que a sentem.


A vida passa a correr, tal como as pessoas. Cais e todos lamentam, mas ninguém espera que te levantes.
Tal como o partir dos marinheiros no século passado, assim é a vida no presente - lágrimas que secam rapidamente, tristezas que desvanecem num piscar de olhos, esperanças pouco esperançosas.

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