Abraçamo-nos como nunca o havíamos feito. Foi um abraço sincero que me levou aos tempos de criança.
Lembro-me como se fosse hoje todos os momentos vividos por nós enquanto inocentes almas, inocentes crianças. Lembro-me de o ver crescer, lembro-me de o admirar. Sempre teve presente o dom da palavra, sempre soube o que dizer. Corríamos pela quinta, saltávamos para a lama. Eu, a menina da quinta, ele, o menino rico. Os meus pais sempre tentaram evitar o Sr. Clark. Nunca percebi bem, mas parecia haver algum tipo de obrigação para com com ele. Nós enquanto crianças não nos apercebíamos de nada, só queríamos puder brincar. Crescemos juntos e a minha paixão por ele cresceu também. Acabamos por nos separar quando fomos para o liceu. Eu fui para a escola local e ele para um colégio prestigiado. Segui com a minha vida e ele com a dele. Ambos fizemos novos amigos, ambos namorámos, mas eu nunca o tirei do coração.
- Tive tantas saudades tuas - solucei.
- Tem calma, vai ficar tudo bem.
- Eu vou deixar-vos a sós. Se precisarem de mim estou na sala do lado. - dito isto, Dr. Collins retirou-se.
- Jensen eu tenho, eu - comecei a chorar.
- O que se passa? Conta-me anjo, vai ficar tudo bem.
- Eles dizem que matei... que matei os meus pais. Mas eu não fiz nada!
- O quê?
- Eu juro que - fui interrompida.
- O William e a Anne estão mortos? A tua irmã já sabe disto?
- Eu não sei, eu não sei de nada, mas ouve-me, eu não fiz nada, eu juro.
- Eu sei Mel, tu não serias capaz de fazer tal coisa. Vamos tirar-te daqui, e agora!
Abraçou-me mais uma vez, beijou-me a testa e saiu. Fiquei na sala e sorri com lágrimas nos olhos. Sentei-me e esperei. Não sei o porquê daquela reação. Hoje penso e não sei porque raio me sentei ali.
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