terça-feira, 9 de abril de 2013

O Vento



Sento-me na minha cama e aprecio os raios de sol que entram pela janela. Penso, reflicto.
Apesar da calma transmitida pelo sol, lá fora está um dia agitado. O vento sopra e leva tudo com ele. Eu observo. Observo e recordo do que ele já levou de mim. Recordo todas as sensações. O vento levou com ele pessoas, sentimentos, momentos, alegrias. Mas levou também tristeza, lágrimas, dor - e eu tenho de lhe agradecer por isso.
Ao inicio olhava para o vento com desprezo, frieza. Era algo que eu odiava. Agora olho com admiração. Admiro a sua força, admiro aquilo que faz. O vento tem ternura na sua frieza, fraqueza na sua bravura, tristeza na sua fúria. Por vezes desejava ser como ele. Andar de rua em rua, de coração em coração e ser livre, mas não tenho coragem. Afinal, como é possível arrancar a inocentes aquilo que eles mais amam sem mais nem menos, sem razão ou ressentimentos?
O sol já não está tão forte, o vento já quase não se ouve. O seu trabalho aqui terminou. Sem razão sinto-me mais leve, mais feliz. 
Esboço um sorriso e despeço-me do vento.

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